Incoterms na prática: qual usar em cada operação (e os erros que custam caro)
FOB não serve para contêiner, CIF não protege o comprador e DDP pode ser uma armadilha. Um guia direto sobre responsabilidades, riscos e custos em cada termo.

Incoterms são as três letras que definem quem paga o quê, quem assume o risco em cada trecho e quem cuida da aduana. Escolher errado é a forma mais rápida de perder dinheiro em uma operação que parecia lucrativa.
Os termos mais usados e quando fazem sentido
| Termo | Quem contrata o transporte principal | Onde o risco passa ao comprador | Indicado para |
|---|---|---|---|
| EXW | Comprador | Na fábrica do vendedor | Compradores com estrutura logística na origem |
| FCA | Comprador | Na entrega ao transportador | Contêineres e aéreo (substitui o FOB) |
| FOB | Comprador | A bordo do navio | Carga solta ou granel |
| CIF / CFR | Vendedor | A bordo do navio na origem | Vendedor com boas tarifas de frete |
| DAP / DPU | Vendedor | No destino combinado | Vendedor que quer controlar a experiência de entrega |
| DDP | Vendedor | No destino, com tributos pagos | Raro; exige o vendedor registrado como importador |
Os erros que mais vemos
- FOB em contêiner. O risco passa "a bordo", mas o contêiner fica dias no terminal antes disso. Use FCA.
- CIF como se fosse proteção. No CIF, o vendedor contrata o seguro mínimo. Se a carga tem valor, o comprador deve contratar seguro próprio.
- DDP sem estrutura. O vendedor estrangeiro raramente consegue ser importador no Brasil. O termo vira promessa impossível.
- Termo no contrato diferente do termo na fatura. Gera divergência aduaneira e discussões de valoração.
Dica: especifique sempre o local exato após o termo: "FCA Armazém X, Xangai" ou "DAP Fábrica do comprador, Joinville". Termo sem local é fonte de disputa.
Na TMLOG, revisamos o Incoterm de cada operação junto com o cliente, considerando controle, custo e risco. Muitas vezes, a mudança de FOB para FCA ou de CIF para DAP resolve problemas que pareciam de logística e eram de contrato.



