Tarifaço dos EUA: um ano depois, o que mudou para o exportador brasileiro
As tarifas adicionais americanas sobre produtos brasileiros reorganizaram cadeias inteiras. Nossa leitura: quem diversificou mercado e reviu o desenho logístico saiu na frente.

Quando as tarifas adicionais dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros entraram em vigor, em agosto de 2025, a primeira reação do mercado foi de paralisia. Embarques foram suspensos, contratos renegociados e muita gente esperou "para ver o que acontece". Um ano depois, a fotografia é diferente: o comércio não parou, ele se reorganizou. E as empresas que se moveram primeiro estão colhendo os resultados.
O que de fato aconteceu com os fluxos
Parte relevante das exportações brasileiras para os EUA seguiu protegida por exceções setoriais, especialmente em aeronáutica, energia, suco de laranja, polpa de celulose e alguns insumos industriais. Para o restante, o efeito foi um choque de competitividade que empurrou exportadores para três caminhos: absorver margem, redirecionar para outros mercados ou redesenhar a cadeia com etapas produtivas fora do Brasil.
Na nossa operação, vimos crescer de forma consistente as consultas por México, Canadá, União Europeia e países do Golfo. Não é coincidência: são mercados com acordos comerciais ativos ou em ratificação, demanda estável e infraestrutura logística madura.
Nossa opinião: a diversificação deixou de ser discurso
Durante anos, "diversificar mercados" foi um slogan de seminário. O tarifaço transformou isso em obrigação de sobrevivência. A boa notícia é que o Brasil tem hoje uma janela rara: o acordo Mercosul-União Europeia avançando na ratificação, a demanda chinesa por proteínas e grãos ainda forte e um câmbio que, apesar da volatilidade, favorece o exportador na maior parte do ano.
Na prática: um cliente do setor de máquinas agrícolas que dependia 70% dos EUA hoje distribui embarques entre México, Paraguai, África do Sul e Europa. O custo logístico unitário subiu 6%, mas a receita cresceu 18% em doze meses.
Três decisões que separam quem cresceu de quem travou
- Revisar a classificação fiscal e a origem. Muitas empresas descobriram que parte do portfólio estava fora do escopo tarifário, ou poderia estar com ajustes legítimos de processo produtivo. Isso exige análise técnica, não achismo.
- Trocar o "custo do frete" pelo "custo total de servir". Rotas mais longas para a Europa ou Ásia podem ter frete maior e, ainda assim, entregar margem melhor quando se somam tarifa, prazo de recebimento e risco cambial.
- Negociar Incoterms com inteligência. Vender CIF ou DAP, em vez de FOB, dá ao exportador controle sobre o transporte e, muitas vezes, uma vantagem comercial que o comprador valoriza mais do que um desconto de preço.
O que esperar nos próximos meses
Trabalhamos com o cenário de que a política tarifária americana continuará sendo usada como instrumento de negociação, com idas e vindas. Isso significa que planejar com um único cenário é um erro. Recomendamos aos nossos clientes manter pelo menos dois desenhos logísticos ativos por família de produto e revisar a matriz de mercados trimestralmente.
Tarifa se negocia em Brasília e Washington. Competitividade se constrói no galpão, no porto e no contrato.
Se a sua empresa ainda opera no modelo pré-2025, este é o momento de mapear alternativas. A TMLOG faz esse diagnóstico com dados da sua própria operação: NCMs, volumes, rotas e custos reais.



